| |
• Qual o verdadeiro papel do Supervisor do Call Center |
|
por David Lederman |
|
|
| |
Adoro ir para as trincheiras. Nós que de alguma maneira estamos envolvidos com o Call Center, deveríamos todos ter a disciplina e o comprometimento de ouvir ligações e passar pelo menos meio período do mês junto à operação. |
|
|
| |
É nas trincheiras onde a verdadeira batalha pela conquista e retenção de Clientes se dá. |
|
|
| |
É nelas que confirmamos a teoria na prática. |
|
|
| |
São os verdadeiros momentos da verdade com os Clientes: milhões de reais gastos em propaganda podem ser jogados no lixo se o Cliente for mal atendido: |
|
|
| |
Ou seja, como já vi uma vez: “10 milhões de investimento em marketing, 10 minutos ao telefone, 10 anos para recuperar o Cliente...” |
|
|
| |
O exemplo do Mac Donald´s deve ser seguido, pelo menos uma vez por ano os seus executivos devem ir às lojas fritar batatas, limpar o chão e atender Clientes. Enfim, sentir a interação da Empresa com o Cliente e a partir dela melhorar seus processos e políticas comercias. |
|
|
| |
Numa dessas recentes visitas à linha de frente, observo o comportamento da supervisão. |
|
|
| |
Estamos num horário de pico e a supervisora anda freneticamente de um lado para o outro junto à sua equipe. Vem algumas vezes para a sua mesa, de frente para a operação, observa algo na tela (provavelmente a fila de espera) e volta a andar ida e volta pelo corredor. |
|
|
| |
De tempos em tempos interfere em alguma ligação ou resolve as dúvidas dos operadores. |
|
|
| |
Excelente supervisora não? |
|
|
| |
Sinto opinar que não, totalmente errado. Se o Call Center é a “indústria” do século 21, temos tudo similar a uma produção do Século 20. Só que as “peças” produzidas não são materiais, são simplesmente vozes, produzidas pelos seres humanos. |
|
|
| |
Ao contrário do controle de qualidade da indústria, onde podemos retirar um lote defeituoso antes de chegar ao Cliente, nesta indústria do século 21, o controle de qualidade só pode ser feito após a entrega da peça ao Cliente, ou seja, o que foi falado para o Cliente já foi. |
|
|
| |
Daí a importância da monitoração das ligações, a única maneira de melhorarmos a qualidade da operação. Monitoração aplicada para o “feed back” construtivo, não aplicado de forma punitiva. E agora chegamos ao ponto crucial do título deste artigo. Para poder monitorar as ligações devemos estar ouvindo o diálogo, ou seja, o Cliente também. |
|
|
| |
Portanto Supervisores parem de circular pelos corredores e voltem às suas mesas junto às suas equipes e monitorem, monitorem e monitorem. Ouçam o que os Clientes estão dizendo. Analisem as respostas dos operadores. Melhorem continuamente seus “scripts” ou roteiros. Dêem “feed back” logo após cada ligação. |
|
|
| |
A produtividade e a qualidade da operação só vai melhorar se isto for continuamente feito! |
|
|
| |
Para que serve um supervisor de corredor se os momentos da verdade estão no telefone? |
|
|
| |
Mas e se o operador tiver dúvida? Ele deve consultar a supervisão da sua PA (posição de atendimento). |
|
|
| |
E se o supervisor estiver ocupado? No corredor estaria da mesma maneira, portanto adotar o procedimento estabelecido para este caso. |
|
|
| |
Caso o supervisor esteja em reunião com a Gerência? Um “back up” escolhido por meritocracia deverá estar fazendo a monitoração em seu lugar. |
|
|
| |
Alguém pode imaginar um avião sem piloto? Uma indústria sem o chefe de operação controlando a produção? |
|
|
| |
E se o piloto tiver que preencher relatórios? Assume o co-piloto. |
|
|
| |
Por isso em geral a supervisão é de 8 horas enquanto os operadores são de 6 horas. |
|
|
| |
Cada um deve ter sua agenda preparada e organizada previamente: |
|
|
| |
Reuniões semanais de equipe, “feed back” individual e análise de ligações gravadas pré-agendadas com cada operador. E também o tempo de preencher relatórios (que tal analisá-los também?), ler e responder e-mails e outras comunicações. |
|
|
| |
Um bom parâmetro para a monitoração ao vivo: 2 monitorações por dia por operador. |
|
|
| |
Muitos argumentarão que não dá tempo, aí perguntaremos: o que há de mais nobre para se fazer num Call Center do que ouvir os Clientes? Em segundo lugar as reuniões semanais de equipe. Depois as reuniões individuais e por último as tarefas burocráticas, que são necessárias, mas ficam para depois, para os horários de menor movimento. |
|
|
| |
Quem ainda não ouviu mais de 1000 ligações não tem a experiência de linha de frente necessária para a plena atividade, ainda é Junior. |
|
|
| |
Lugar de supervisor de Call Center é junto aos Clientes, ou melhor, ao telefone. |
|
|
| |
Diretores e Gerentes? Que tal fritar batatas pelo menos uma vez por mês? |
| |
|
| |
David Lederman é membro do Conselho da Consumidor Moderno e Diretor Executivo da e-Marketing/Grupo Imagem. |
|
|
| |
Para aprofundar o debate sobre estas questões, mande um e-mail para david.lederman@uol.com.br para sua inclusão no grupo de discussão virtual sobre Marketing de Relacionamento. |
| |
|