Empresa lança área voltada para o desenvolvimento profissional a partir da experiência de 34 anos de gestão do festival.

Entender como funcionam todas as engrenagens do negócio, além da sua área de atuação , ter uma visão de 360° da experiência do consumidor , planejar, criar e seguir processos…

Empresas como Rock in Rio ,Disney e Fifa oferecem cursos e centros de treinamento para que empresários e profissionais em geral possam conhecer métodos, sistemas e a cultura dessas companhias.

O instituto da Disney existe desde 1996. Já a Fifa não tem escola própria, mas apoia a International Centre for Sport Studies (Cies), que oferece o Fifa Master, um programa em parceria com três universidade europeias voltado para educação gerencial do mundo esportivo.

O Rock in Rio, por sua vez, acaba de lançar o Learning Experience Unit (LExU), um departamento dedicado a compartilhar o conhecimento e as experiências da gigante dos festivais de música. A unidade já tem projetos em andamento e, futuramente, terá um complexo voltado ao treinamento e desenvolvimento profissional — uma espécie de Universidade do Entretenimento.

Uma prévia disso é o Rock in Rio Academy, que já funciona numa parceria com a HSM Educação Corporativa. Trata-se de um workshop de um dia com a cúpula da empresa para executivos. Este ano, o curso intensivo vai acontecer entre as duas semanas de festival, na Cidade do Rock, onde o evento é realizado. Serão 12 horas de imersão na cultura do festival de música e entretenimento, incluindo a apresentação do presidente e fundador Roberto Medina.

Das guitarras aos cursos

 

A empresa que organiza festivais de rock está lançando também um livro de gestão sobre os processos, cultura e organização do negócio, uma versão streamming de sua academia (por R$ 99), e traz para o Brasil o Innovation Week, que já acontece em Lisboa. Há ainda outros braços da LExU, voltados para o conceito de edutainment (educação e entretenimento) que tomarão forma mais tarde.

— Nós temos a cultura do sonhar e fazer acontecer. Não adianta apenas planejar. Com o LExU, queremos difundir as nossas quatro áreas de atuação, que são criatividade, comunicação, liderança e inovação, a qual não é necessariamente tecnológica — explica Agatha Arêas, vice-presidente de Learning Experience.

— A ideia de montar a primeira Academy surgiu porque havia uma grande demanda para que nossos executivos falassem sobre o case que é o Rock in Rio. Todo mundo queria saber como manter vivo por tanto tempo e falar com tantos públicos diferentes — acrescenta Agatha.

Mas qual o truque para que uma empresa que organiza eventos para milhares de pessoas se mantenha por tantos anos e ainda dê lucro antecipado? A resposta não é tão simples…

Segundo a vice-presidente executiva do Rock in Rio, Roberta Medina, é uma combinação de processos em sintonia com a cultura da empresa.

Para começar, há o bom alinhamento entre os executivos e os 40 funcionários fixos — o que permite uma perfeita comunicação, via “telefone sem fio”, entre os 25 mil colaboradores temporários que trabalham durante o festival. Para que dê certo, todos têm que entender como o processo funciona.

— A equipe precisa ter um olhar sobre toda a jornada, da criação do produto até a chegada ao consumidor — diz Roberta, destacando ainda que as edições só são possíveis porque há parcerias com patrocinadores, equipe, fãs, fornecedores e artistas.

Muitos visitantes compram ingressos para a edição seguinte, dali a dois anos, antes mesmo de as atrações serem conhecidas. A regra de ouro do Rock in Rio é que o fã tenha a lembrança da experiência, e não apenas da música.

Por isso, afirma Roberta, o planejamento é a chave para reduzir os riscos.

— Por maior cuidado que se tenha, na hora em que os portões se abrem para 700 mil pessoas, sempre há um incêndio para apagar.

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Mais do que um ‘plano B’

Não há como um evento do porte do Rock in Rio não sofrer ajustes de última hora. Em 1985, após a saga de  trazer um sino de 1.500kg para uma única música do AC/DC, a estrutura do palco não aguentou — e um sino de gesso foi improvisado. E houve a famosa lama da primeira edição, que acabou se tornando uma relíquia quando o festival completou 30 anos…

 Pode ser um vazamento, filas quilométricas ou fãs brigões… Segundo Roberta , os maiores desafios são a logística das bandas e os dias de festival em si — e não os pedidos excêntricos dos artistas, como muitos acham. Planejamento é a chave para reduzir riscos. Ter uma equipe alinhada para resolver pepinos é essencial.

 — Temos planos 1, 2, 3… até o 10. E, se não der, chama todo mundo e dá um jeito — relata a executiva.

A mágica prática do mundo Disney

 

O Disney Institute é o mais famoso caso de sucesso entre as companhias que criam centros de estudo a partir da sua experiência prática. Essa escola de treinamento existe há décadas e oferece cursos rápidos ou longos. As aulas abordam as práticas e a gestão dos parques e resorts, com temas como liderança, serviço e engajamento. São programas voltados para empresas e profissionais sem ligações com a Disney.

Todas as aulas acontecem nos Estados Unidos, e o Disney Institute não tem representantes, parceiros ou classes no Brasil.

Há, contudo, uma versão em português do do livro “O jeito Disney de encantar os clientes”. E David Lederman, organizador e promotor de eventos do instituto, além de revisor técnico da publicação, conta algumas curiosidades sobre esse universo mágico que requer, ao mesmo tempo, praticidade na execução.

— O importante não é apenas conhecer os segredos, mas saber como implementá-los em sua empresa. É o que o Disney Institute faz: passar o seu método em serviços — explica ele, que também é presidente da Lederman Consulting.

Uma diferença que resulta no encantamento dos clientes, segundo Lederman, vem do conceito criado pelo próprio Walt Disney.

— Os funcionários são o elenco; os ambientes, cenários; e o cliente é o convidado. Isso faz parte de um processo integrado. A essência está na diferença, no jeito que se atende a na distribuição.

Como no Rock in Rio, a experiência é valorizada:

— Existe uma obstinada paixão em observar o cliente e agradá-lo, independentemente de ele estar certo — afirma Lederman.

Matéria originalmente publicada no Jornal O Globo em 20/08/2019.

David Lederman é presidente da Lederman Consulting & Education e organizador dos Workshops Oficiais do Disney Institute no Brasil.

Fundador da Escola Nacional de Qualidade de Serviços (ENQS) e Professor de Pós Graduação no curso Gestão de Processos e Serviços da Fundação Vanzolini.

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Aplicando na Prática o Jeito Disney de Encantar Clientes: 24 de outubro de 2019.

Lições de Criatividade Estilo Disney/Pixar: 25 de outubro de 2019.

 

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