Publicado em julho de 2026
Ao longo de mais de 30 anos estudando a Disney e formando líderes em experiência do cliente, David Lederman, presidente da Lederman Consulting & Education, coleciona histórias que mostram como o verdadeiro encantamento nasce de gestos simples — não de grandes investimentos. Esta é uma delas.
Quanto custa criar uma experiência do cliente que ele nunca esquecerá? Uma simples toalha, um ursinho Pooh e um copo de leite e bolachinhas mostram por que o verdadeiro encantamento não depende de grandes investimentos, mas de cultura, autonomia e atenção aos detalhes.
Imagine voltar ao quarto do hotel depois de um dia inteiro caminhando pelos parques da Disney. Você abre a porta, coloca as sacolas no chão e percebe algo diferente: seu filho olha para a cama e, imediatamente, abre um enorme sorriso, porque o ursinho Pooh está sentado na cama e assistindo televisão!
Na frente dele, um copinho de leite, algumas bolachinhas e a TV ligada. Parece que ele resolveu fazer um lanche enquanto assistia a um desenho. Para uma criança, aquilo não é decoração, mas sim magia.
Para os pais, é um momento inesquecível. E para a Disney, é mais um exemplo de como uma cultura organizacional pode transformar uma tarefa operacional em uma experiência memorável.
Agora, a pergunta é: o que a sua empresa pode aprender com essa história?
Experiência do cliente: o encantamento raramente nasce de grandes investimentos
Quando falamos sobre experiência do cliente, muitas empresas pensam imediatamente em tecnologia, aplicativos, Inteligência Artificial ou programas de fidelidade. Tudo isso é importante, mas quase nunca é isso que faz um cliente dizer: “Nunca vou esquecer o que fizeram por mim.”
As experiências mais marcantes costumam nascer de pequenos gestos, que demonstram uma característica cada vez mais rara nas empresas: a capacidade de perceber aquilo que o cliente ainda nem pediu.
A camareira que enxergou além da limpeza, uma experiência do cliente
A história aconteceu em um dos hotéis da Disney. Uma camareira entrou para realizar aquilo que, teoricamente, era sua função, como arrumar o quarto, trocar toalhas, limpar o ambiente e organizar a cama. Nada além disso.
Enquanto trabalhava, ela observou alguns detalhes: sobre uma poltrona havia uma embalagem de leite achocolatado, algumas bolachas infantis e um ursinho Pooh.
Talvez, para muitas pessoas, fossem apenas objetos espalhados pelo quarto, mas ela enxergou outra coisa: imaginou que aquela criança provavelmente precisava de incentivo para tomar leite depois de um longo dia de parque. Então, decidiu fazer algo que ninguém havia pedido: sentou o Pooh na cama, colocou um copinho de leite em sua frente, organizou algumas bolachas, ligou a televisão, criou uma pequena cena, e quando a família voltou ao quarto, a reação foi imediata: “Mamãe! Olha! O Pooh está tomando leite!”
Naquele instante, a mãe ganhou um aliado e a criança ganhou uma lembrança. E a Disney ganhou mais uma história que provavelmente será contada durante muitos anos.
O mais importante dessa história não é o ursinho
Muita gente escuta esse caso e pensa: “Que ideia criativa.” Porém, na verdade, essa não é a principal lição. O mais importante é outra pergunta: Por que aquela camareira sentiu liberdade para fazer isso?
Bom, ela não consultou um supervisor, não abriu um procedimento, não pediu autorização, mas ela simplesmente fez, porque trabalhava em uma cultura que dizia: “Se isso melhorar a experiência do cliente, vale a pena.”
Essa diferença muda tudo. Ou seja, treinamentos ensinam técnicas, mas é a cultura que determina como as pessoas se comportam quando ninguém está olhando.
O erro que muitas empresas cometem na experiência do cliente
Em muitas organizações, os colaboradores aprendem rapidamente uma regra silenciosa: “Não faça nada além do que está no procedimento.”
É compreensível. porque existe medo de errar, de gastar e de criar exceções. Mas, o problema é que, junto com os erros, a empresa elimina também a criatividade, a iniciativa e a capacidade de surpreender positivamente.
Resultado? Atendimentos corretos, processos eficientes, clientes satisfeitos, mas poucas histórias memoráveis.
Encantamento não é improviso, é cultura.
Existe uma frase que repetimos constantemente em nossos cursos: O encantamento não é um evento, mas consequência de uma cultura.
Essa cultura é construída diariamente nas pequenas decisões, nos exemplos da liderança, nos comportamentos reconhecidos e nos detalhes que passam despercebidos pela maioria. E é exatamente isso que a Disney faz.
O ritual de reconhecimento que poucos conhecem
A história da camareira não termina quando a família vai embora., mas quando um hóspede envia uma carta ou e-mail contando um desses momentos especiais, acontece algo extremamente simbólico. O relato é impresso, colocado em uma moldura dourada. Então ocorre algo ainda mais importante: o Vice-Presidente de Operações deixa seu escritório, vai até a área operacional, reúne a equipe, há uma pequena celebração, a carta é lida em voz alta, a colaboradora é reconhecida diante dos colegas e a moldura passa a fazer parte da parede daquele setor.
Pode parecer apenas uma homenagem, mas, na verdade, trata-se de um poderoso mecanismo de gestão. Em resumo, a mensagem é clara: “É este comportamento que queremos repetir.”
E cultura é exatamente isso, não apenas aquilo que a empresa diz valorizar, mas aquilo que ela reconhece, celebra e recompensa.
O que isso ensina sobre liderança
Existe outra lição importante escondida nessa história: o reconhecimento não foi delegado ao RH, nem enviado por e-mail, mas veio da alta liderança.
Quando um executivo deixa sua sala para reconhecer publicamente uma colaboradora operacional, ele comunica algo muito maior do que um simples “parabéns”. Ele comunica prioridade, e pessoas observam prioridades muito mais do que discursos.
O papel da Inteligência Artificial nessa história
Vivemos um momento em que muitas empresas depositam enormes expectativas na Inteligência Artificial, e ela realmente transformará o atendimento. Em suma, a IA poderá responder mais rápido, pesquisar informações em segundos, sugerir soluções, construir roteiros personalizados e eliminar retrabalho. Tudo isso é extraordinário, mas existe algo que continua essencialmente humano: perceber emoções, interpretar contextos, imaginar possibilidades. Nenhuma Inteligência Artificial teria olhado aquele quarto e pensado: “Talvez este ursinho possa ajudar uma criança a tomar leite hoje.”
A tecnologia acelera processos, as pessoas criam significado e as empresas que liderarão a experiência do cliente nos próximos anos serão aquelas capazes de combinar os dois mundos.
Cinco reflexões para levar para sua empresa
Antes de fechar este artigo, deixo algumas perguntas para você refletir com sua equipe.
-
Sua empresa recompensa apenas resultados ou também atitudes?
As pessoas repetem aquilo que é reconhecido.
-
Seus colaboradores têm autonomia para surpreender positivamente um cliente?
Ou precisam pedir autorização para tudo?
-
O que seus clientes demonstram precisar, mas nunca chegam a pedir?
Os melhores insights normalmente estão escondidos nos detalhes.
-
Os líderes conhecem e celebram boas histórias?
Ou apenas acompanham indicadores?
-
Se um cliente escrevesse uma carta elogiando um colaborador hoje, como sua empresa comemoraria?
A resposta diz muito sobre sua cultura.
Para levar com você: experiência do cliente
Talvez a maior lição dessa história seja esta: A camareira não criou magia porque recebeu uma ordem, mas criou magia porque trabalhava em uma empresa que acreditava que pequenos gestos podem transformar a experiência de alguém.
No final, o ursinho Pooh não era o protagonista, mas era uma cultura que deu liberdade para uma pessoa comum fazer algo extraordinário. E talvez seja exatamente esse o maior ensinamento da Disney para qualquer organização.
Portanto, o encantamento raramente nasce de grandes investimentos, ele nasce quando pessoas são incentivadas a observar mais, perceber melhor e agir com genuíno interesse pelo cliente.
FAQ: Perguntas Frequentes
David Lederman é presidente da Lederman Consulting & Education e organizador dos Workshops Oficiais do Disney Institute no Brasil.
Fundador da Escola Nacional de Qualidade de Serviços (ENQS), Professor na Fundação Vanzolini no Curso de Especialização em Administração de Serviços – CEAS e Professor no MBA em Administração, Finanças e Geração de Valor na disciplina “Excelência em Serviços e Fidelização de Clientes” da PUCRS.
Para saber mais sobre Qualidade de Serviços Disney e Inovação e Criatividade Empresarial Pixar, conheça os cursos presenciais no Brasil e em Orlando.
Para saber mais sobre a metodologia de como transformar sua empresa num negócio “age friendly” (amigável ao idoso) entre em contato conosco: faleconosco@ledermanconsulting.com.br
Curso Aplicando na Prática o Jeito Disney de Encantar Clientes: agora online. Consulte a data na agenda.
Curso Lições de Criatividade Estilo Disney/Pixar: agora online. Consulte a data na agenda.




