história do mickey
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Atualizado em 08 de setembro de 2026

A história do Mickey Mouse começa em 1928, quando Walt Disney e o animador Ub Iwerks criaram o personagem depois de perder os direitos sobre Oswald, o Coelho Sortudo, para o distribuidor Charles Mintz e a Universal Pictures. 

O Mickey estreou em 18 de novembro de 1928, no curta Steamboat Willie, o primeiro desenho da Disney com trilha sonora sincronizada.

Ou seja: o personagem mais reconhecido do entretenimento mundial nasceu de uma perda contratual. E é justamente essa parte da história que pode interessar a quem gerencia uma empresa.

Neste artigo você vai encontrar:

  • Quem criou o Mickey Mouse e qual foi o papel de cada um
  • Quando o personagem foi criado: a linha do tempo de 1927 a 1929
  • Quem era Oswald, o primeiro personagem de sucesso de Walt Disney
  • Como era o Mickey Mouse antigo, na sua primeira versão
  • Qual foi o primeiro desenho do Mickey: Plane Crazy ou Steamboat Willie?
  • O que a história real do Mickey ensina sobre inovação e criatividade nas empresas
Oswald o Coelho Sortudo, o início da história do Mickey
Figura 1 – Oswald o Coelho Sortudo

Quem criou o Mickey Mouse?

O Mickey Mouse foi criado por duas pessoas com funções bem distintas: 

  • Walt Disney, responsável pela ideia, pela personalidade e pela voz do personagem
  • Ub Iwerks, o animador que desenhou o Mickey e produziu a maior parte dos primeiros curtas. 

Atribuir a criação apenas a Walt Disney é o erro mais comum quando se conta essa história.

Responsável pela criação Contribuição
Walt Disney Concebeu o personagem, definiu sua personalidade, dirigiu os curtas e emprestou a própria voz ao Mickey até 1947
Ub Iwerks Criou o desenho do Mickey e animou praticamente sozinho os primeiros curtas, num ritmo considerado excepcional para a época
Lillian Disney Segundo a versão contada por Walt Disney, sugeriu trocar o nome original “Mortimer” por “Mickey”

A dupla já vinha trabalhando com um conceito que a Disney chamava de “animação de personalidade”, ou seja, uma ideia de que um personagem de desenho deve ser identificado como indivíduo pelos próprios movimentos, trejeitos e reações, não apenas pelo traço. Na prática, era o começo daquilo que a Disney transformaria, décadas depois, em método de atendimento: a experiência é construída por comportamento, não por cenário.

Walt Disney resumiu esse princípio de forma direta na época: ele queria que os personagens fossem alguém, não apenas um desenho.

– Leia também: entenda o que é a magia Disney e como aplicá-la na sua empresa

Quando o Mickey Mouse foi criado? A linha do tempo de 1927 a 1929

O personagem Mickey Mouse foi criado na primavera de 1928, mas sua história começa um ano antes, com Oswald. Veja a seguir a sequência exata de fatos:

Data O que aconteceu
Março de 1927 Assinatura do contrato para produção dos curtas de Oswald, o Coelho Sortudo, distribuídos pela Universal Pictures
1927–1928 O estúdio de Walt Disney produz 26 curtas de Oswald
Fevereiro de 1928 Walt viaja a Nova York para renegociar o contrato e descobre que perdeu o personagem e metade da equipe
Primavera de 1928 Walt e Ub Iwerks desenvolvem em segredo um novo personagem: o Mickey Mouse
15 de maio de 1928 Exibição-teste de Plane Crazy, o primeiro curta produzido com o Mickey, sem som e sem distribuidor
18 de novembro de 1928 Estreia de Steamboat Willie no Colony Theatre, em Nova York. É a data que a Disney considera o aniversário oficial do Mickey
17 de março de 1929 Plane Crazy finalmente chega aos cinemas, agora com trilha sonora sincronizada

Aqui é importante distinguirmos uma das dúvidas mais frequentes sobre o tema: 1928 é o ano do Mickey Mouse, tanto da criação quanto da estreia pública. O que ficou para 1929 foi o lançamento comercial do curta que havia sido produzido primeiro.

Antes do Mickey havia Oswald: o primeiro personagem de sucesso de Walt Disney

Em 1927, depois do fim da série Alice Comedies, a Universal Pictures pediu a Walt Disney uma nova série animada com um coelho como protagonista. Walt e Ub Iwerks criaram Oswald, o Coelho Sortudo.

A escolha do coelho não foi casual: o mercado estava saturado de gatos animados, como Felix the Cat e Krazy Kat, e Walt queria um personagem que se diferenciasse à primeira vista.

Oswald deu certo rápido. Foi o primeiro personagem da Disney a gerar produtos licenciados, houve barra de chocolate, botton e kit de estêncil com a imagem do coelho. Mas o licenciamento só rende a quem detém os direitos, e os direitos de Oswald não eram de Walt Disney.

Para dar aos curtas um acabamento diferente do que se fazia na animação da época, Walt estudou cinema de ação ao vivo. Logo, ele passou a emular ângulos de câmera, efeitos de sombra, corte transversal e encenação inspirados em filmes de Douglas Fairbanks e Lon Chaney. E, em vez de empilhar piada sobre piada, analisou a construção cômica de Charlie Chaplin, Buster Keaton, Harold Lloyd e da dupla Laurel e Hardy, o Gordo e o Magro.

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Por que Walt Disney perdeu Oswald: a cláusula que mudou a história da Disney

Em fevereiro de 1928, Walt Disney foi a Nova York negociar um valor melhor por curta com o produtor Charles Mintz. Encontrou o contrário do que esperava: uma proposta de redução do orçamento e a informação de que boa parte de seus animadores já havia sido contratada diretamente por Mintz.

O motivo era contratual. O personagem pertencia à Universal Pictures, não ao estúdio que o criava. Walt havia cedido os direitos por inexperiência, nas cláusulas que ninguém lê com atenção. Sem os direitos, não havia negociação possível.

Ub Iwerks foi um dos poucos que não deixaram o estúdio. Walt recusou a proposta, voltou para Los Angeles e decidiu não fazer mais nenhum curta de Oswald.

Como era o Mickey Mouse antigo? A primeira versão do personagem

O Mickey Mouse antigo, das primeiras animações de 1928, é bem diferente do personagem que aparece hoje nos parques e nos produtos licenciados. Quem assiste a Steamboat Willie pela primeira vez costuma se surpreender, pois o Mickey original é mais atrevido, mais magro e visualmente mais básico.

Mickey de 1928 (primeira versão) Mickey atual
Sem luvas brancas, elas só aparecem em 1929 Luvas brancas como parte fixa do design
Olhos totalmente escuros, com um pequeno corte branco (o traço conhecido como pie-eyes) Olhos com esclera branca e pupila definida
Corpo em rubber hose (traço de “mangueira de borracha”, sem articulações fixas, que se esticava livremente) Anatomia estável e proporções padronizadas
Sem falas. A primeira vez que o Mickey fala é em 1929 Voz e personalidade padronizadas globalmente
Comportamento travesso, às vezes agressivo Personagem cordial, alinhado à imagem institucional da marca

Essa primeira versão do Mickey é hoje conhecida também por outro motivo. Em 1º de janeiro de 2024, o Mickey de Steamboat Willie entrou em domínio público nos Estados Unidos. Isso vale para aquela versão específica de 1928, as encarnações posteriores do personagem seguem protegidas.

– Leia também: entenda a força da Disney a partir do Magic Kingdom, o parque temático mais visitado do mundo

Qual foi o primeiro desenho do Mickey Mouse? Plane Crazy ou Steamboat Willie?

Depende do que se entende por “primeiro”. As duas respostas estão corretas, e é por isso que a confusão se repete:

  • O primeiro curta produzido foi Plane Crazy, uma paródia da façanha do aviador Charles Lindbergh. Ficou pronto como filme mudo e foi exibido para uma plateia de teste em 15 de maio de 1928. Não conseguiu distribuidor.
  • O segundo produzido foi The Gallopin’ Gaucho, que também ficou parado à espera de distribuição.
  • O primeiro curta lançado ao público foi Steamboat Willie, terceiro a ser produzido, que estreou em 18 de novembro de 1928 no Colony Theatre, em Nova York. Foi o primeiro desenho da Disney com trilha sonora sincronizada e o sucesso que viabilizou o estúdio.

Depois do êxito de Steamboat Willie, a Disney voltou aos curtas engavetados, acrescentou som e os lançou. Plane Crazy chegou aos cinemas em 17 de março de 1929.

Mickey em Steamboat Willie, início da história do mickey
Figura 2 – Mickey em Steamboat Willie

Mickey Mouse: história real e os três mitos mais repetidos

A história real do Mickey Mouse é frequentemente contada com atalhos. Vale separar o que é fato do que é mito.  Confira a seguir:

Mito 1: “O Mickey nasceu numa viagem de trem” 

É a versão que Walt Disney costumava contar, a ideia teria surgido no trem de volta de Nova York, depois da negociação fracassada. Historiadores tratam o episódio como uma reconstrução romanceada; o desenvolvimento do personagem foi um trabalho de estúdio, feito em sigilo, ao longo de semanas.

Mito 2: “Walt Disney desenhava o Mickey” 

Walt havia parado de desenhar profissionalmente antes de Oswald para se dedicar à gestão do estúdio. Quem desenhou o Mickey foi Ub Iwerks.

Mito 3: “Steamboat Willie foi o primeiro desenho sonoro da história” 

Existiram experimentos anteriores com som em animação. Steamboat Willie foi o primeiro em que a sincronia entre imagem e som funcionou de forma convincente para o público, além de ser o primeiro a transformar isso em resultado comercial.

Um último dado que fecha o ciclo: em 2006, quase oitenta anos depois da perda, a Disney recuperou os direitos de Oswald, o Coelho Sortudo, em uma negociação com a NBC Universal.

O que a história do Mickey Mouse ensina sobre inovação e criatividade nas empresas

A criação do Mickey é um caso raro em que quatro princípios de inovação aparecem no mesmo episódio:

  1. Propriedade do que se cria. Oswald era um sucesso que não pertencia a quem o fez. Inovação sem controle sobre o resultado não se transforma em patrimônio.
  2. Falha como etapa, não como veredito. Plane Crazy não encontrou distribuidor. O estúdio não descartou o material: identificou o que faltava e voltou a ele depois.
  3. Inovação no detalhe aparentemente secundário. O que virou o jogo não foi o desenho do personagem, e sim a trilha sonora sincronizada, um elemento periférico que redefiniu a experiência do espectador.
  4. Timing. Steamboat Willie chegou no momento exato da transição do cinema mudo para o sonoro. A mesma ideia, dois anos antes ou depois, teria outro destino.

Em resumo, podemos concluir que a história do Mickey Mouse mostra que inovação raramente é uma ideia inédita. Na maioria dos casos, é a combinação de um ativo próprio, um erro bem aproveitado e uma melhoria em algo que parecia secundário. Foi esse conjunto que transformou um estúdio à beira da falência em referência global de experiência do cliente.

David Lederman, presidente da Lederman Consulting & Education e organizador dos Workshops Oficiais do Disney Institute no Brasil, trabalha há mais de 30 anos com essa leitura da metodologia Disney em empresas brasileiras: o que encanta o cliente é processo repetível, não talento isolado.

Como aplicar as lições da história do Mickey na sua empresa?

Para transferir esse caso para a realidade de uma empresa brasileira, o caminho não é copiar a Disney, e sim replicar o mecanismo por trás dela. Veja a seguir quatro movimentos concretos nesse sentido:

  1. Mapeie o que sua empresa criou e não controla. Processos, metodologias, materiais de treinamento e conteúdo desenvolvidos internamente. Registre e documente antes que se tornem valiosos.
  2. Crie um destino para as ideias reprovadas. Plane Crazy ficou guardado, não descartado. Um repositório de projetos suspensos, com o motivo da suspensão registrado, evita jogar fora trabalho que só precisava de outro contexto.
  3. Procure o “som” da sua operação. Identifique o elemento que o cliente percebe e que sua empresa trata como secundário: o tempo de resposta, a embalagem, o primeiro contato, o pós-venda.
  4. Trate encantamento como processo. Defina o comportamento esperado em cada ponto de contato, treine a equipe nesse padrão e meça. É exatamente o que a Disney faz com os cast members, os membros do elenco, como a empresa chama todos os seus funcionários.

– Leia também: entenda por que todos na Disney são chamados de membros do elenco

Lederman Consulting e a metodologia Disney no Brasil

Com mais de 30 anos de mercado e sede em São Paulo (SP), a Lederman Consulting & Education é a única empresa autorizada no Brasil a ministrar o treinamento empresarial baseado no livro O Jeito Disney de Encantar os Clientes.

Os cursos presenciais acontecem na Avenida Paulista, 967, em São Paulo (SP), e são construídos para que o participante saia com um plano de implantação, não com um resumo de boas práticas. A mesma lógica que a Disney aplicou ao Mickey em 1928: transformar uma ideia em processo.

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Perguntas frequentes sobre a história do Mickey Mouse

Quem criou o Mickey Mouse?

O Mickey Mouse foi criado por Walt Disney e pelo animador Ub Iwerks, em 1928. Walt concebeu o personagem, definiu sua personalidade e fez sua voz até 1947. Ub Iwerks foi o responsável pelo desenho do Mickey e pela animação dos primeiros curtas.

Quando foi criado o personagem Mickey Mouse? 

O personagem foi criado na primavera de 1928, semanas depois de Walt Disney perder os direitos de Oswald, o Coelho Sortudo. A estreia pública ocorreu em 18 de novembro de 1928, data que a Disney considera o aniversário oficial do Mickey.

Qual foi o primeiro desenho do Mickey Mouse?

Plane Crazy foi o primeiro curta produzido, com exibição-teste em 15 de maio de 1928, mas não conseguiu distribuidor na época. O primeiro curta efetivamente lançado ao público foi Steamboat Willie, em 18 de novembro de 1928.

Como era o Mickey Mouse antigo? 

Na primeira versão, de 1928, o Mickey não usava luvas brancas, tinha olhos totalmente escuros com um pequeno corte branco, corpo desenhado em traço de “mangueira de borracha” e comportamento bem mais travesso. Ele não falava e sua primeira fala só veio em 1929.

Por que Walt Disney perdeu Oswald, o Coelho Sortudo?

Porque os direitos do personagem pertenciam à Universal Pictures, não ao estúdio de Walt Disney. Na renegociação de fevereiro de 1928, Walt não tinha o que negociar e ainda perdeu boa parte da equipe para o produtor Charles Mintz.

O Mickey Mouse está em domínio público? 

Apenas a versão de 1928, a de Steamboat Willie, que entrou em domínio público nos Estados Unidos em 1º de janeiro de 2024. As versões posteriores do personagem continuam protegidas.

Leia também mais conteúdos sobre a Disney em nosso blog!

David Lederman é presidente da Lederman Consulting & Education e organizador dos Workshops Oficiais do Disney Institute no Brasil.

Fundador da Escola Nacional de Qualidade de Serviços (ENQS), Professor na Fundação Vanzolini no Curso de Especialização em Administração de Serviços – CEAS e Professor no MBA em Administração, Finanças e Geração de Valor na disciplina “Excelência em Serviços e Fidelização de Clientes” da PUCRS.

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Adorei o workshop, fala com paixão sobre o assunto, e os vídeos passados trouxe emoção ao conteúdo
Karla Trevizano
15 Abril 2026
Jose Menino  profile picture
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Excelente curso! Didática boa e conteúdo completo com muitas curiosidades sobre os processos Disney e a proposta de encantamento
Jose Menino
15 Abril 2026
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Treinamento excelente!
Leandro Oliveira de Araujo
15 Abril 2026
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Maravilhosa a experiência!! A gente sai com brilho nos olhos!!
Graziela Pazulini
29 Março 2026
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Muito boa!
Nathália Venturim de Souza
29 Março 2026
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Amei, aprendi muito e me senti mais motivada.
Ana Carolina Leonel Leite
29 Março 2026
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Excelente!!!!
Wellington Cruz Oliveira
29 Março 2026
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Fantástico
Nayara Cravo
29 Março 2026